Uma linha do tempo mostrando a queda de uma das instituições financeiras mais emblemáticas da Europa
por: Jeff Desjardins [*]08/07/2016
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Publicado em "The Chart Of The Week". Periódico semanal.
O destino de uma das instituições financeiras mais importantes da Europa parece estar selado. Após uma sequência contundente de escândalos, decisões equivocadas e infelizes acontecimentos, as ações Deutsche Bank, sediado em Frankfurt, desvalorizaram em 48% apenas neste ano, chegando a US $ 12,60, o que é um recorde de baixa.
Ainda mais impressionante é a visão de longo prazo da espiral descendente da instituição alemã. Com um modesto U$15.800.000.000 em valor de mercado, as ações da instituição de 147 anos atingiram um reles 8% do seu preço de pico registrado em Maio de 2007.
O começo do fim
Se as falências de Lehman Brothers e Bear Stearns foram rápidas e indolores, a trilha do desaparecimento do Deutsche Bank tem sido longa, prolongada e dolorosa.Nos últimos tempos, o setor de investimento do Deutsche Bank é considerado como dos maiores do mundo, comparável em tamanho a Goldman Sachs, JP Morgan, Bank of America e Citigroup. No entanto, ao contrário dos outros bancos, o Deutsche Bank vem cambaleando ferido desde a crise financeira, e o banco alemão nunca foi capaz de se recuperar totalmente.
É irônico, porque, em 2009, o CEO da empresa Josef Ackermann corajosamente proclamou que o Deutsche Bank tinha muito capital, e que estava resistindo a crise melhor do que os seus concorrentes. Descobriu-se, contudo, que o banco estava realmente escondendo 12 bilhões de dólares em perdas para evitar uma ajuda do governo (essa só pode ser piada, n.d.t.). Enquanto isso, a maior parte do dinheiro que o banco faturou durante este período turbulento nos mercados foi resultante da manipulação das taxas Libor. Esses "ganhos" foram de curta duração, uma vez que a eventual multa para acabar com a jogada da Libor acabaria alcançando um recorde de U$2,5 bilhões. O banco finalmente teve que admitir que ele realmente precisava de mais capital. Em 2013, ele levantou €3 bilhões, com uma emissão de direitos, alegando que fundos adicionais não seriam necessários. Então em 2014 o banco perdeu a cabeça e começou a levantar € 1,5 bilhão, e depois disso, outros 8 bilhões de euros.
Uma Série de Desgraças
Nos últimos anos, o Deutsche Bank vem tentado se reinventar desesperadamente. Tendo passado por vários CEOs desde a crise financeira, a mais recente tentativa de reinvenção envolve uma grande revisão das operações e pessoal anunciadas pelo co-CEO John Cryan, em outubro de 2015. O banco está agora no processo de corte de 9.000 funcionários e suspendendo as operações em 10 países. Este é o lugar onde nosso cronograma dos problemas mais recentes do Deutsche Bank começa, e os últimos seis meses, em particular, têm sido rápidos e furiosos. Deutsche Bank começou o ano anunciando uma perda de recorde em 2015 de €6,8 bilhões.Cryan realizou um festim de public relations, proclamando que o banco era uma "rocha sólida". O próprio ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, veio à público garantir que ele não tinha "preocupações" sobre o Deutsche Bank.
Por entre as linhas: as coisas estão em modo de crise total.
Nas semanas seguintes, aqui está o que aconteceu:
- 16 de maio de 2016: Berenberg Bank adverte que os problemas do DB podem ser "intransponíveis", notando que o banco está mais do que 40 vezes alavancado.
- 2 de junho de 2016: Dois ex-empregados do DB são arrolados no inquérito sobre a manipulação das taxas de juros US Libor. Enquanto isso, a Financial Conduct Authority do Reino Unido diz que há pelo menos 29 empregados do banco envolvidos no escândalo.
- 23 de junho de 2016: a decisão Brexit é um duro golpe contra o DB. O banco é o maior banco europeu em Londres e recebe 19% de suas receitas provenientes do Reino Unido.
- 29 de junho de 2016: FMI emite declaração de que o "DB parece ser o contribuidor líquido mais importante dos riscos sistêmicos."
- 30 de junho de 2016: Federal Reserve anuncia que o DB falhou no teste de estresse do Fed nos EUA, devido à "má gestão dos riscos e planejamento financeiro".
Agora a verdadeira questão: o que ocorre com o livro de derivativos do Deutsche Bank, que tem um valor nominal de €52 trilhões, se o banco é insolvente?
[*] Jeff Desjardins é um dos fundadores e editor de Visual Capitalist um website de criação e curadoria de conteúdo visual em investimentos e negócios.
Original em:
http://www.visualcapitalist.com/chart-epic-collapse-deutsche-bank/

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